quarta-feira, 27 de abril de 2011

O PROPÓSITO DESTE SÍTIO

     
Não tenhas medo do assédio, do que há de mais sujo, mais insinuante, mais visceral. Não tenhas medo de teus instintos, a ânsia de teus múltiplos espíritos e faces.      
     
     Eu, diante da necessidade quase fisiológica, que aos poucos me foi ressurgindo dentro da alma nos últimos meses, de elaborar um projeto meu, numa verdadeira busca pessoal, resolvi atirar-me aos ventos e às forças que regem a natureza. Em poucas palavras: quero dançar a dança do invisível, do irracional, em busca das palavras, dos gestos, de movimentos fluidos, não frouxos, porém, que me façam perscrutar esse obstáculo invisível que nos circunda no ar. 
     Estou em busca do vinho, da bebedeira. Vou sorver o sangue que cairá por cima de meu corpo à procura  da saciedade da alma. Cometerei todos os pecados ainda não cometidos, degustarei as mais frescas carnes, dançarei como a serpente do deserto, e como ela, destilarei o mais mortal dos venenos. 
     E este é o princípio do meu projeto. No próximo post explicarei-o melhor, e o motivo de tal título. Explicarei ainda a aplicação do verbo RESSURGIR no primeiro parágrafo. 
     A seguir, BACANAL, de Manuel Carneiro de Souza Bandeira. Tomo este poema por uma aula, um grito de guerra, uma ode à libertinagem e à ousadia. 
     
                 BACANAL

     Quero beber! Cantar asneiras
     No esto brutal das bebedeiras
     Que tudo emborca e faz em caco...
     Evoé Baco!


     Lá se me parte a alma levada
     No torvelim da mascarada,
     A gargalhar em douro assomo...
     Evoé Momo!


     Lacem-na toda, multicores,
     As serpentinas dos amores,
     Cobras de lívidos venenos...
     Evoé Vênus!


     Se perguntarem: Que mais queres,
     além de versos e mulheres?
     - Vinhos!... o vinho que é o meu fraco!...
     Evoé Baco!


     O alfange rútilo da lua,
     Por degolar a nuca nua
     Que me alucina e que não domo!...
     Evoé Momo!


     A Lira etérea, a grande Lira!...
     Por que eu extático desfira
     Em seu louvor versos obscenos,
     Evoé Vênus!
                 
                   1918
     Como ultimas preces: EVOÉ!

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